segunda-feira, 8 de março de 2010

O Cântico da Terra

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.

De mim veio a mulher e veio o amor.

Veio a árvore, veio a fonte.

Vem o fruto e vem a flor.


Eu sou a fonte original de toda vida.

Sou o chão que se prende à tua casa.

Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.

Sou a espiga generosa de teu gado

e certeza tranqüila ao teu esforço.

Sou a razão de tua vida.

De mim vieste pela mão do Criador,

e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.


Eu sou a grande Mãe Universal.

Tua filha, tua noiva e desposada.

A mulher e o ventre que fecundas.

Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.


A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.

O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.


E um dia bem distante

a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio

tranqüilo dormirás.


Plantemos a roça.

Lavremos a gleba.

Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.

Fartura teremos

e donos de sítio
felizes seremos.
Cora Coralina

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